Thursday, July 25, 2024
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Buenos Aires emite identificação digital baseada em blockchain

A partir de outubro, milhões de residentes da cidade poderão acessar documentos de identidade por meio de uma carteira digital

Buenos Aires, capital da Argentina, anunciou na semana passada que vai levar a identidade digital para cerca de 15 milhões de pessoas em um avanço na integração de sua burocracia com a tecnologia blockchain. A partir deste mês, os cidadãos de lá poderão acessar, gradualmente, soluções de identidade Web3, todas elas alimentadas pelas propriedades focadas na privacidade do zkSync Era.

Os primeiros documentos disponíveis na blockchain incluem certidões de nascimento e casamento, comprovantes de renda e verificação acadêmica.

Para Felipe Fernandez, analista da VG Research, a adoção da tecnologia blockchain para soluções de identidade está se tornando uma tendência notável. Essa tendência busca proporcionar maior transparência, segurança, privacidade e controle pessoal sobre informações pessoais.

“Isso se deve em grande parte à centralização e emissão de informações em uma blockchain, especialmente quando se trata de uma blockchain pública com criptografia robusta, como o exemplo da zkSync em uso em Buenos Aires”, diz.

Ele considera que essa abordagem pode facilitar a inclusão e verificação de um maior número de indivíduos no sistema, ao mesmo tempo em que preserva a privacidade.

Como resultado, essa tecnologia auxilia na prevenção de roubo de identidades, uso indevido de dados e prevenção de fraudes, proporcionando uma experiência digital mais segura e confiável para todos os cidadãos.

“É crucial notar que a base de qualquer criptomoeda é sua blockchain. Ela atua como um banco de dados descentralizado, onde todas as transações são registradas de forma transparente e imutável, protegidas por criptografia. Graças a essa tecnologia, podemos armazenar informações além das transações de moedas digitais, como contratos inteligentes e NFTs.”

Mais seguro

Quando informações de identidade pessoal, como certidões de nascimento e registros de propriedade, são registradas em uma blockchain, tornam-se virtualmente à prova de adulteração, reduzindo significativamente o risco de falsificação ou corrupção de registros.

Com uma infraestrutura governamental baseada em blockchain, o acesso aos registros de identidade e propriedade pode ser amplamente facilitado e democratizado.

“A eliminação da necessidade de intermediários, como cartórios, pode reduzir consideravelmente os custos associados ao registro de identidade e propriedade, tornando esses serviços mais acessíveis ao público em geral”, afirma.

A tecnologia blockchain também pode permitir uma verificação mais rápida e precisa da identidade de uma pessoa, o que é útil em várias situações, incluindo solicitação de empréstimos, viagens internacionais e até mesmo votações eletrônicas.

Além disso, lembra ele, a tecnologia blockchain transcende fronteiras nacionais, pois teoricamente qualquer pessoa com acesso à internet pode participar da rede, oferecendo oportunidades significativas para indivíduos em países em desenvolvimento ou situações desafiadoras se conectarem diretamente com estruturas de países mais desenvolvidos.

“Um exemplo notável é a colaboração da IOHK com o Ministério da Educação da Etiópia, que forneceu identidades digitais baseadas em blockchain a mais de cinco milhões de alunos e professores. Isso valida os dados de desempenho e oferece oportunidades antes inexistentes naquela região, onde os diplomas não eram reconhecidos no Ocidente.”

A adoção de criptomoedas são notavelmente alta em países onde a confiança no governo e nos bancos centrais é baixa, e a moeda fiduciária enfrenta fortes desvalorizações e inflação significativa.

“Brasil e Argentina são exemplos que se encaixam perfeitamente nesse cenário, e não é surpresa que a tecnologia blockchain já esteja sendo implementada e testada aqui para emitir carteiras de identidade.”

Recentemente, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) anunciou a implementação do “Cadastro Compartilhado”, simplificando o processo de emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN).

Essa iniciativa permite o compartilhamento seguro de dados entre a Receita Federal e os Órgãos de Identificação Civil, tornando o processo de consulta, inscrição e alteração de CPFs e carteiras de identidade mais eficiente.

“Até mesmo o projeto piloto do novo real digital do Banco Central, conhecido como DREX, provavelmente estará vinculado a uma identidade digital no futuro, já que os dados pessoais dos cidadãos estão integrados ao sistema de qualquer forma. Isso pode proporcionar uma maior integração e facilidade de uso para os consumidores”, diz.

No entanto, é importante enfatizar que, embora a tecnologia blockchain tenha se mostrado bem-sucedida, especialmente com o Bitcoin, seu uso em um contexto em que a identidade está ligada a um banco de dados totalmente controlado pelo governo pode gerar preocupações legítimas sobre privacidade e liberdade.

“Por exemplo, impostos poderiam ser automaticamente debitados do saldo bancário centralizado na Receita Federal, incluindo multas de trânsito e processos judiciais. Portanto, a integração de identidades em blockchains oferece vantagens claras em termos de eficiência e inclusão, mas também levanta questões importantes sobre privacidade e liberdade pessoal”, alerta.

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