Saturday, March 2, 2024
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Como acelerar a jornada 5G rumo à realidade?

José Rocha, Marcos Karpovas e Antonio Parrini Pimenta

Da mesma forma como a chegada da conectividade 4G possibilitou o desenvolvimento de serviços como aplicativos de mobilidade e redes sociais, que hoje são aspectos indissociáveis do nosso cotidiano, a comunicação 5G trará diferentes possibilidades, que serão exploradas em cada mercado de acordo com as demandas e necessidades dos clientes. E, assim como aconteceu no passado com uma série de inovações, esse futuro ainda não parece muito previsível. Sabemos que mudanças virão – mas quais serão elas?

A dificuldade em fazer essa transição no 4G abriu possibilidades para que disruptores ocupassem espaços que poderiam ter sido dominados pelas próprias empresas de telecomunicações. Um bom exemplo disso são os aplicativos de mensagens: o WhatsApp está presente em praticamente 100% dos celulares brasileiros e é a forma prioritária de envio de mensagens de texto, vídeo e áudio entre pessoas. O SMS, que era a solução disponibilizada pelas operadoras nos tempos do 3G, acabou sendo superado por inovações que vieram de fora do segmento de telecom.

De acordo com a edição mais recente do estudo Reimagining Industry Futures, realizado pela EY, 74% dos entrevistados no Brasil afirmam que suas organizações precisam reimaginar o futuro de seus setores para extrair mais valor do 5G, e 71% afirmam que será necessário fazer um redesenho organizacional para obter mais valor com a nova geração de conectividade.

Dessa forma, a tecnologia 5G – e no futuro sua sucessora 6G – representa a construção de uma plataforma de conectividade que será a base de tudo o que será criado nos próximos anos em termos de produtos e serviços. Por ter esse caráter estruturante, ela precisa ser flexível para permitir o desenvolvimento de novos modelos de negócios, nos mais variados segmentos. Isso também significa que, pelo menos no início da trajetória evolutiva da tecnologia, não veremos a adoção massiva de serviços específicos: o futuro será construído a partir do desenvolvimento de múltiplos casos de uso que, com o tempo, passarão a encontrar pontos de conexão. Mas, hoje, 5G representa uma folha em branco para ser escrita a partir da capacidade de inovação de cada negócio. É hora então de reimaginar os modelos comerciais do setor.

Mesmo nas redes 4G, empresas de telecomunicações têm oferecido ao público B2B serviços de rede cobrados as a Service. É o caso, por exemplo, de cloud data center, em que a infraestrutura é oferecida para os clientes, enquanto as operadoras garantem a segurança e a estabilidade da entrega. Com o 5G, esse movimento será acelerado, uma vez que essa tecnologia estruturante se coloca como base para a implementação de IoT, Inteligência Artificial, analytics, automação e robótica, entre outras.

Para que esse movimento ganhe tração, porém, fornecedores e organizações precisam mudar o mindset da monetização dos serviços. O estudo Reimagining Industry Futures mostra que as empresas avaliam a contratação de serviços 5G sob a mesma lente do 4G, contratando conectividade e devices como upgrades da estrutura móvel existente. Sem contar que, fatores estruturantes das telecomunicações nas diferentes regiões do mundo explicam a maior ou menor aderência a modelos as a Service.
 

Hoje, as possibilidades de desenvolvimento de soluções e modelos de monetização ainda ocupam uma posição secundária, uma vez que a infraestrutura está sendo colocada em operação. Certamente, a aplicação de 5G não se dará de forma homogênea – uma vez que as necessidades são bastante diversas.
 

Nos próximos anos, veremos uma evolução tecnológica baseada em casos de uso, impactando cada local de uma forma diferente. Não será incomum uma fazenda receber vários nós de 5G para monitoramento das culturas, ao mesmo tempo em que a cidade mais próxima ainda use a geração anterior de conectividade.
 

Para as empresas, 5G é um caminho que exige uma abordagem com dois horizontes distintos. O primeiro caminho é o de curto prazo, de otimização dos processos já existentes e de avançar com as capacidades e habilidades já existentes. A otimização operacional e a melhoria de processos, a partir do uso de sensores e da Internet das Coisas, gera impactos positivos imediatos no negócio e indicam claramente, para toda a empresa e para o mercado, qual é o potencial a ser alcançado.
 

Ao mesmo tempo, os ganhos de otimização de hoje precisam levar a passos mais amplos para o futuro. Os horizontes apresentados pelas iniciativas táticas estimulam o desenvolvimento do que é inovador, levando a uma transformação mais radical e potencialmente disruptiva para modelos de negócios, empresas e segmentos inteiros. Avance hoje com a otimização para preparar a disrupção de amanhã.
 

É um movimento intenso, que precisa começar a acontecer hoje. É um caminho inexorável, para o qual as empresas precisarão dedicar tempo, atenção, inspiração e esforço. É também uma iniciativa conjunta, pois nenhum negócio poderá, sozinho, identificar todas as possibilidades para seu segmento ou todas as ameaças que terá de enfrentar. Todas as cadeias de valor precisam pensar no 5G como uma folha em branco e uma possibilidade de reinvenção – caso contrário, a tecnologia se torna apenas uma forma mais veloz de continuar fazendo o que já existe hoje.
 

Por isso, para que a tecnologia 5G viabilize o desenvolvimento de novos modelos de negócios em diferentes segmentos da economia, é importante iniciar a transformação por áreas onde há mais oportunidades de ganhos ou de redução de perdas. Agronegócio e mineração são dois exemplos de setores que liderarão os avanços 5G no mercado brasileiro, pois têm o potencial de gerar retornos importantes para as empresas e as operadoras de telecom.
 

Trata-se de uma jornada longa e em constante mutação. Até mesmo por isso, a hora de começar é agora, quando o grande potencial de ganhos e de diferenciação estratégica ainda está na mesa.
 

*José Ronaldo Rocha é sócio da EY e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações (TMT) para LAS, Marcos Karpovas é sócio da EY Business Consulting e Antonio Parrini Pimenta é COO da Siga Antenado.

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